segunda-feira, 15 de abril de 2024

CHOQUE DE PROGRESSO

 Ainda na década de 70 já se ouvia falar de Igarapé nas rádios Atalaia e Tiradentes, quando em Itaúna minha mãe se ocupava de seus afazeres domésticos com o rádio ligado. “Lotes em Igarapé, a trinta minutos da FIAT” anunciava o locutor nos comerciais entre uma música e outra.

Foi nesta época, com a instalação da Fiat Automóveis em Betim, que Igarapé conquistou seu primeiro Distrito Industrial, quando se instalou a Resil, hoje Magna, a Induplast, hoje Injepalstic, CAME e outras menores. Nesta época também chegou a Eletro metalúrgica Hélios, hoje Fornac.

A cidade tinha muitos bairros sem infraestrutura, o que atraiu uma população de baixa renda oriunda da Região Metropolitana de Belo Horizonte, fazendo com que esta arrecadação não fosse suficiente para atender as necessidades básicas de seu povo. Complicando ainda mais este quadro, em 1995, São Joaquim de Bicas se emancipa, ficando Igarapé sem seu Distrito Industrial, sua principal fonte de arrecadação.

Mesmo nesta situação caótica, o município continuou a abrir inúmeros loteamentos sem a devida infraestrutura, e a fomentar o crescimento de sua população, agravando ainda mais a situação de pessoas em estado de vulnerabilidade social. Era grande a demanda por saneamento básico, infraestrutura, saúde, educação e segurança.

A atividade econômica passou a ser basicamente comércio e serviços. Os governos desse período alegavam inviabilidade de trazer novas empresas devido a questões ambientais, até que em 2009, o poder público realizou um evento denominado Igarapé Planejando o Futuro, com o objetivo de apresentar a cidade como apta a receber novos empreendimentos.

Deste evento surgiu a parceria com a Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerias-CODEMIG que tornou possível a implantação do Distrito Industrial de Igarapé em uma área de 1,1 milhão de metros quadrados. A partir desta importante conquista, a arrecadação municipal, que em 2009 foi 31 Milhões, passou a crescer culminado no ano de 2023 no valor de 444 milhões de reais. Aumento de 14,3 vezes.

Entre 2009 e 2016, Igarapé teve um choque de progresso, mesmo com a arrecadação ainda muito menor que a atual, foi construída uma UPA, toda rede escolar foi reformada e ampliada, novas escolas construídas, novas UBSs, praças reformadas e construídas, construção do parque ecológico, velório, novas vias de escoamento de trânsito, 143 Km de asfalto e a importante conquista do Hospital do Icismep.

Após 2016 a cidade volta à estagnação, nenhuma empresa mais chegou à cidade; apesar do aumento crescente da arrecadação, as obras e novos serviços se reduzem ao pondo de nos últimos 40 meses, somente a EMEI do Bairro Bom Jardim foi inaugurada. Na contramão desta estagnação, a população de Igarapé, conforme o censo do IBGE de 2022, ficou entre os maiores crescimentos da região metropolitana de Belo Horizonte.

Nos últimos 3 anos Igarapé arrecadou cerca de 1 bilhão e 100 milhões de reais, é várias vezes o arrecadado entre 2009 e 2016, período que a economia da cidade mais cresceu na sua história.

Diante deste cenário é importante buscar respostas para algumas perguntas:

Por qual motivo Igarapé não recebeu mais nem uma empresa, sendo que no distrito industrial sua área só foi ocupada em 12%?

 Porque a saúde registra tantos problemas e reclamações da população?

Porque o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica vem caindo tanto nos últimos anos?

                No período de 2009 a 2016, igarapé fez 180 novas contratações para atender a novas escolas, novas UBSs, nova UPA, a nova Secretaria de Meio Ambiente, novo velório, etc., nos últimos 40 meses, com a criação de apenas uma nova escola, foram contratados cerca de mil novos servidores. É inevitável as perguntas: o que faz tanta gente, onde estão que não aparece melhoria dos serviços prestados?

Porque Igarapé parou de progredir?

Onde está sendo aplicado um bilhão e cem milhões arrecadados?

Ao habitar os cerca de 45 mil lotes já abertos no município, sem considerar verticalização, nossa população ultrapassará de 120 mil habitantes. Vamos cruzar os braços, acomodarmos com a arrecadação e estrutura existentes até que novamente se torne insuficiente e os problemas voltem a se agravar, penalizando uma população ainda maior?  Ou vamos aproveitar o momento e as boas oportunidade para prepararmos Igarapé para um crescimento saudável e bem planejado onde seus habitantes tenham qualidade de vida e uma cidade cada vez melhor para se viver?

Quem governou esta cidade entre 2009 e 2016, o período em que Igarapé teve uma gestão austera e um choque de progresso, foi o Prefeito José Carlos Gomes Dutra, o Kalu.


Igarapé pode e merece muito mais! 

 


quarta-feira, 16 de abril de 2008

COMPORTAMENTO COLETIVO

Mais uma vez o nosso individualismo, o nosso egoísmo, semeiam suas sombras na forma de miséria e de descrença, transformando cada um de nós em vítimas de nós mesmos. É a somatória do comportamento individual que caracteriza o comportamento coletivo, que tem culminado nos resultados nefastos a que temos apaticamente assistido. Muita violência: assaltos à mão armada pela manhã, constantes mortes por assassinato ao meio dia, o crime se organiza em torno do tráfico de drogas; total desinformação: as más notícias correm de boca em boca em forma de boatos, ninguém sabe se há projetos para saúde, para educação, não há intercambio entre o povo e os nossos representantes na Câmara de Vereadores, não há prestação de contas do nosso representante na Prefeitura... Falta transparência. Interessamo-nos pela política somente no período de campanha, fazemos o jogo da corrupção, tolamente negociamos o nosso maior trunfo, o voto, por um saco de cimento, um padrão ou um pé de botina, transformando-nos assim nos primeiros corruptores. Negligentemente, deixamos de cumprir com o dever de zelar pelo que é nosso, não porque é nosso, mas porque é de todos nós; ao sermos negligentes não estamos prejudicando somente a nós mesmos, prejudicamos a todos, inclusive nossos filhos e futuros descendentes. Também somos responsáveis por tudo de bom ou de ruim que acontece em nossa cidade. A falta de sentimento coletivo, a falta do sentimento de pertencimento das coisas públicas não nos isentam da responsabilidade direta por tudo que aconteça com o nosso município.

Rouba, mas faz!

Frase feita, mas imperfeita, comum na boca de quem tem a necessidade de acalentar uma consciência doente e ferida pelos constantes atos praticados a portas fechadas, na calada da noite. Atos que, por ferirem a si mesmos, devido à característica divina do ser humano, e por ferirem e comprometerem toda uma sociedade, deixam o individuo na defensiva do indefensável. Este “fazer” é a prerrogativa necessária para se criar os caminhos escorregadios e lodosos que possibilitam o desvio do dinheiro público. Assim obras bem visíveis ao público são a prioridade dos corruptos, que se denunciam ao ferir a lógica. Fazem calçamento antes da prioritária e tão necessária rede de esgotos. Rede pluvial então, nem pensar, fica debaixo do solo, apesar de evitar poeira, enxurradas, e preservar o próprio calçamento, não atentem à grande necessidade de justificar o “Rouba, mas Faz”. Chavão perfeitamente compreensível, mas não aceitável, na boca de quem tem o hábito de roubar o dinheiro que deveria ser bem administrado de forma a maximizar os benefícios como a qualidade da merenda escolar, medicamentos e médicos, melhores subsídios a entidades como APAE, Vila Vicentina, creches e orfanatos, fortalecimento dos conselhos tutelares, de saúde e de segurança, atenção especial ao meio ambiente tão presente nos discursos e tão distante nas ações. Incompreensível e abominável é ouvir esta triste frase na boca da maior vítima dessa podre história: pessoas honestas, trabalhadoras, pagadoras de impostos, tidas como inteligentes e esclarecidas, enchem a boca e dizem, “este rouba, mas faz”. Está errado, foram eleitos para fazerem, e fazerem bem feito, seus salários são condizentes com seus cargos: para o cargo de prefeito, nós contribuintes pagamos mensalmente nove mil reais, pagamos ao vice quatro mil e quinhentos reais, a cada vereador três mil reais, um secretário municipal recebe três mil reais. Imagine-se construindo uma casa para sua família, aplicando todas as suas economias e um pouco mais na execução de tão sonhada obra; imagine o seu pedreiro, contratado a preço justo e combinado, economizando o cimento de sua massa, usando matérias de qualidade inferior, para sorrateiramente, levar esta economia para casa, comprometendo assim a qualidade e a segurança de sua casa, talvez irremediavelmente, colocando em risco toda a sua família... Ao descobrir tal ato dirias: _Tubo bem, este “ROUBA, MAS FAZ”?

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

sábado, 13 de outubro de 2007

PROFISSÃO PROFESSOR

Quem é que, no adentrar do outono, não traz na mente a presença forte, como um farol, daquela figura de mestra, que nos adocica a memória, que nos arremete à infância com seus cheiros, suas cores e algazarras. Havia um tempo em que a “tia” era mais imponente, não era só uma tia despreparada e desesperada à busca de uma vaga. Não era somente uma funcionária, era quase divina, uma missionária. Hoje é testada, desafiada, tem de ser professora, pedagoga, babá e também assistente social. Hoje é mal paga, desrespeitada, estudou muito, mas aprendeu pouco. Antes ser professora era poesia; hoje é profissão. Antes ser professora era vocação; hoje é opção. Antes eram professoras dos filhos dos pais que educavam até com um olhar. Hoje são educadoras dos filhos dos pais ocupados e estressados, na verdade os filhos da era digital, da tv, da internet e das ruas. Antes ganhavam pouco, mas tinham prestígio, glamour, reconhecimento. Hoje, regidas por leis e normas tortas que manipulam e fabricam estatísticas de acordo com o interesse do momento, continuam ganhando pouco. mas num cenário de guerra: convivem com o tráfico, com as gangues, com a delinqüência. Hoje somos os frutos da educação que recebemos ontem; imaginemos assim que novos tempos nos guardam!

NO CONTRA CHEQUE DE UM PROFESSOR II, DO MUNICIPIO DE IGARAPÉ, A COMPROVAÇÃO DO DESCASO COM A EDUCAÇÃO E TODA UMA CLASSE: VENCIMENTOS DE R$380,00 (SALÁRIO MÍNIMO VIGENTE) E UMA AJUDA DE CUSTO DE R$180,00 QUE NÃO É PAGA EM CASOS DE APOSENTADORIA E LICENÇAS MÉDICAS.

domingo, 7 de outubro de 2007

SENSO COLETIVO











Queima de lixo no quintal, esquecendo-se que a fumaça é distribuida por toda vizinhança, sem mencionar as questões ecológicas tão divulgadas.

















Lixo na calçada esquina da Rua 1° de Maio com Rua Marciano Henriques, pertinho da prefeitura.

sábado, 6 de outubro de 2007

CIDADE MENINA

É confuso o sentimento de quem pensa com carinho nesta criança carente de parentes de sangue, de filhos dignos e gratos, de pais protetores e zelosos. É muito triste ver essa menina tão sem amigos sinceros, que lhe sonhem sonhos coloridos, que vislumbrem um futuro sólido. Tão solitária, sem quem perceba e se preocupe com tua fragilidade, com a debilidade de teus órgãos vitais, não percebem o teu inchaço, cheia de vermes e parasitas, perdendo o viço e, sem força, se encolhe, aleijada, perde espaço. Cheia de egoístas, explorada e prostituída, não é mais tão serena; tão pouco segura, tenho medo de teu convívio com meus filhos – veja, também sou egoísta. Não tens culpa, como cidade menina, és inerte; somos tua vida, tua história, teu destino. Triste sina a tua: és feita daqueles que te amam pelo que tens a dar, mas nada te dão. Roubam-te o futuro digno e tranqüilo de grande celeiro, de provedora de alimentos, de pioneira em tecnologias, de sólidas cooperativas, de tradição, de família. Veja, acordamos com o noticiário criminal da melhor qualidade, teus muros sobem, as grades aumentam, há cerca elétrica, câmeras vigiando a calçada, assalto a mão armada, assassinato encomendado, segurança contratado. Onde estão teus pensadores? Teus intelectuais? Os jovens sonhadores que mudam o mundo? Por onde andam teus artistas? E o teatro, a dança o folclore? Pelo menos um jornal... Uma cidade sem poetas, sem serestas nem coral!
Assim não há alma que agüente; tudo se embrutece. Tão criança e já com os vícios e as chagas de uma puta velha, traz em teu seio as serpentes ferozes do tráfico e da malandragem; tão menina, e já produzes teus primeiros menores delinqüentes, tão cidade nas manchetes de jornais. Oh, infeliz menina, onde estão os teus que não te protegem? Ainda és tão bela e exuberante! Apesar de muito ferida e mutilada, ainda tens teus encantos: tua serra escalavrada, teus igarapés poluídos e minguados, teu povo inculto e alienado, tua terra cortada, teus campos plantados... sim ainda és bela, muito bela. É teu aniversário e não tenho coragem de dar-te os parabéns, podes pensar que zombo de ti, ou pior, que não vejo a tua carência, que não percebo a tua miséria, que não te amo. Perdoe se não exalto tuas qualidades e aponto teus defeitos, é que as tuas qualidades têm donos e patronos, e nem são tantas a ponto de cobrir teus graves defeitos que somente serão sanados se diagnosticados, expostos, desnudados. Não te dou os parabéns, mas desejo-te felicidade, uma melhor sina.Peço a Deus que te aponte um protetor; um não, vários, todos de alma boa e simples que te amem com sabedoria e firmeza, que te ponham na linha, te melhorem o destino, te consertem a história. Peço a Deus que nos ilumine, que nos auxilie a tornarmo-nos melhores e menos egoístas, pois somos um, tu e nos, cidade menina, e somente te tornarás melhor se melhorarmo-nos como pedestres, como professores, como alunos, como políticos, como religiosos, como delegados, como juízes, como lixeiros, como eleitores, como cidadãos...