Frase feita, mas imperfeita, comum na boca de quem tem a necessidade de acalentar uma consciência doente e ferida pelos constantes atos praticados a portas fechadas, na calada da noite. Atos que, por ferirem a si mesmos, devido à característica divina do ser humano, e por ferirem e comprometerem toda uma sociedade, deixam o individuo na defensiva do indefensável. Este “fazer” é a prerrogativa necessária para se criar os caminhos escorregadios e lodosos que possibilitam o desvio do dinheiro público. Assim obras bem visíveis ao público são a prioridade dos corruptos, que se denunciam ao ferir a lógica. Fazem calçamento antes da prioritária e tão necessária rede de esgotos. Rede pluvial então, nem pensar, fica debaixo do solo, apesar de evitar poeira, enxurradas, e preservar o próprio calçamento, não atentem à grande necessidade de justificar o “Rouba, mas Faz”. Chavão perfeitamente compreensível, mas não aceitável, na boca de quem tem o hábito de roubar o dinheiro que deveria ser bem administrado de forma a maximizar os benefícios como a qualidade da merenda escolar, medicamentos e médicos, melhores subsídios a entidades como APAE, Vila Vicentina, creches e orfanatos, fortalecimento dos conselhos tutelares, de saúde e de segurança, atenção especial ao meio ambiente tão presente nos discursos e tão distante nas ações. Incompreensível e abominável é ouvir esta triste frase na boca da maior vítima dessa podre história: pessoas honestas, trabalhadoras, pagadoras de impostos, tidas como inteligentes e esclarecidas, enchem a boca e dizem, “este rouba, mas faz”. Está errado, foram eleitos para fazerem, e fazerem bem feito, seus salários são condizentes com seus cargos: para o cargo de prefeito, nós contribuintes pagamos mensalmente nove mil reais, pagamos ao vice quatro mil e quinhentos reais, a cada vereador três mil reais, um secretário municipal recebe três mil reais. Imagine-se construindo uma casa para sua família, aplicando todas as suas economias e um pouco mais na execução de tão sonhada obra; imagine o seu pedreiro, contratado a preço justo e combinado, economizando o cimento de sua massa, usando matérias de qualidade inferior, para sorrateiramente, levar esta economia para casa, comprometendo assim a qualidade e a segurança de sua casa, talvez irremediavelmente, colocando em risco toda a sua família... Ao descobrir tal ato dirias: _Tubo bem, este “ROUBA, MAS FAZ”?
quarta-feira, 16 de abril de 2008
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário